setembro 04, 2005

A análise de Helena Sacadura Cabral

Helena Sacadura Cabral começando por falar no perfilar de candidatos às Presidenciais, tem, no DN deste domingo, uma excelente análise ao que leva ao desencanto dos portugueses.
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"Manuel Alegre, no discurso proferido na terça-feira à noite, teve uma frase sibilina. Após explicar a sua discordância do processo e da forma de candidatura de Mário Soares, apresentou as razões que o levavam a renunciar à Presidência da República e deixou para o final um derradeiro argumento o de que era "republicano". Confesso que, para um "rei" como Mário Soares parece ser, esta estocada foi certeira… e, na altura, não fiquei completamente segura da desistência de Alegre. De facto, para mim, ele apenas dissera não querer ser responsável pela eventual fractura do PS e da esquerda.

"No dia seguinte, com pompa e circunstância, o ex-presidente, algo nervoso, reapresentava-se negando, tranquilamente, todo o discurso que, nos últimos anos, viera fazendo. Dando, uma vez mais, dos políticos a imagem de que não são gente de palavra. E de si, em simultâneo, a ideia de salvador da pátria…

"Ninguém nega a qualquer destes homens as suas qualidades e a importância que tiveram no panorama político e cultural do nosso país. Ninguém lhes nega, também, a imensa capacidade de sedução. Como, também, se não poderá ignorar em Cavaco Silva a competência técnica, que terá feito dele o primeiro-ministro mais duradouro da democracia portuguesa.

"Contudo, não se pode ficar indiferente ao facto de Portugal não ter sido capaz de produzir, na última década, ninguém mais jovem e menos comprometido do que o trio que, até à última quarta-feira, parecia disposto a disputar a chefia máxima da Nação. E uso o verbo parecer, porque continuo a não ter certezas acerca da candidatura do professor que, a meu ver, insiste, e muito bem, no seu silêncio sobre uma matéria que só a ele diz respeito. De facto, esta situação só prova algo que, nesta coluna, tenho referido várias vezes e que Miguel Sousa Tavares, no seu comentário da passada terça-feira, também mencionou. Trata-se da constatação de que o actual sistema partidário está, progressiva e sistematicamente, a liquidar a noção de cidadania, não permitindo a emergência de pessoas que, podendo ser úteis ao País, o não são, porque não fazem nem querem fazer parte dos aparelhos políticos. O que nos empobrece, sem que alguém pareça preocupar-se muito com o facto.

"Não é saudável para a democracia esta indiferença generalizada dos portugueses. Nem é "normal" que, para resolver as eleições presidenciais, se tenha de recorrer sempre a pessoas que já desempenharam, no passado, tais funções.

"Pode argumentar-se que não somos únicos. Mas isso não altera a insanidade da situação. Ninguém acredita que, num esquema de funcionamento político diferente, não surgissem outros eventuais candidatos ao lugar, tão ou mais empenhados no desempenho do cargo. Se Cavaco não tivesse ido fazer a rodagem do seu carro à Figueira da Foz... muito possivelmente ninguém, hoje, o conheceria como governante! Todos nós sabemos que é preciso dar lugar às outras gerações. Que só saberão do que são capazes se forem chamadas ao exercício das responsabilidades. Portugal não pode continuar a viver de figuras tutelares, de entes parentais que se sentem no direito de exercer, por toda a sua vida, o poder paternal. Quando a lei estabelece as condições para adquirir a maioridade, é justamente a pensar nisto. Como se impunha que devesse ter sido a pensar nisto que, a seu tempo, os nossos antigos governantes tivessem olhado o império colonial.

"Aliás, são seguramente motivos desta natureza que levam a que se estabeleçam limitações de idade e outras, no desempenho de certos cargos. Também aqui a medida se justificava. Em Dezembro último, no jantar dos seus 80 anos, Soares afirmou que "de política, sinceramente vos digo basta! Tenho o direito de pensar e fazer outras coisas". De facto, tinha. Mas não quis. Perdendo uma boa oportunidade de se manter, até ao fim dos seus dias, digno do apreço que a História jamais lhe negaria.

"Por vezes tenho a impressão de que Portugal continua no século XX. Sem televisão, telemóveis ou computadores. Olhando um século XXI que não passou de Badajoz. Por muito duro que tal possa parecer, é como se, de repente, voltássemos ao sistema do telefone fixo com ligação ao posto de Troncas…"

Publicado por dizerbem em setembro 4, 2005 10:24 AM
Comentários

Ca no burgo tudo vai continuar na mesma como a lesma,como diz a sabedoria popular onde julgo se começa a empregar a lei da rolha.onde os jovens tem que imigrar a procura de melhores oportunidades.e o povo fala fala e nao faz nada e nem sequer usa o seu direito ao voto.UM pais onde a cultura e tao mal tratada,e se aposta tao pouco na educaçao dos seus jovens.sou dona de casa tenho 4 filhos duas delas imigradas na uk.com a familia desmembrada completamente,e onde pra o meu filho estudar com dignidade tenho que GASTAR UM MES DE SALARIO DE MEU MARIDO.QUE VERGONHA ,SR 1 MINISTRO.
ISABEL RIBEIRO

Afixado por: ISABEL RIBEIRO em setembro 21, 2009 07:11 PM
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